sexta-feira, 4 de outubro de 2013

TIAUACO - Capítulo I

Paopec correu disparado, o mato batendo em seu peito, raspando em galhos, adentrando a selva virgem dos Tapu Amaros. Correra a vida toda nestas matas e sabia exatamente pra onde estava indo, seus perseguidores não.

Os dois que saltaram da canoa estavam pintados inteiro de vermelho púrpura, o terceiro que ficou era mais velho, não menos perigoso.

Paopec correu como nunca, levando os algozes para uma armadilha mortal. Num certo momento Paopec lançou-se com um forte impulso na raiz duma árvore, agarrou já bem alto noutra e subiu igual todo indiozinho aprende cedo a fazer. Lá do alto Paopec começou a dar gritos com a mão em concha. Nesse momento os dois vermelhos já começaram a subir.

Não durou muito os parentes que estavam caçando com Paopec, surgiram de todos os lados, no sopé da árvore. Cada qual conduzia arco e flecha, tacape, e toda sorte de cortantes. Tinham curare, que Tashego trazia na cintura pra usar nas caças. E foi justamente ele que primeiro empunhou uma flecha, não sem antes molhar a ponta no veneno.

Só se ouvia o resfolegar dos dois que trepavam atrás de Paopec. Foram duas setas, atiradas quase simultâneas. A viagem da seta faz um som macio que a vítima só escuta quando já não dá tempo de escapar. Dois gritos contidos: " - Hu...", " - Hm...". E logo dois baques no chão. Um deles já caiu paralisado e só fazia babar uma gosma branca. O outro ainda conseguiu se levantar, mas levou uma pancada na cabeça, só uma, se foi.

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