terça-feira, 8 de outubro de 2013

TIAUACO - Capítulo II

"O sol é senhor do universo.
Tuapac filho do sol.

Tuapac povo grande.
Tuapac invencível.

Viva Tuapac.
Morte aos inimigos."

Paopec leu as tatuagens nas costas do Tuapac, enquanto arrastavam-no para decepar a cabeça.

Desde que a grande guerra entre nosso povo e o povo Tuapac foi declarada, a cabeça de um guerreiro vermelho trazia boa sorte. Era encolhida e dependurada próxima à tribo.

Nosso povo era pacífico. Mas o povo do norte insistiu em nos atacar, roubando jovens, crianças e mulheres, que levava, subindo os rios. Nosso povo adorava a "Mãe Terra", eles o "Sol".

O ritual foi breve, Tashego dançou e cantou uma canção de despedida em torno do corpo. Ajeitou o pescoço do vermelho num tronco. Rogou perdão à grande "Mãe", por ter ceifado a vida de um irmão da terra. E depois de fazer sinais reverentes com as mãos, que só os iniciados sabem decifrar, baixou violentamente a lâmina de pedra vulcânica, num só golpe.

O sangue foi escoado, cobriram-nas com barro e embrulharam num saco de folhas de palmeira, para a viagem de volta.

As duas cabeças juntaram-se ao restante da caça; dois macacos, alguns pássaros e um parrudo javali. Foi uma boa caçada.
  
Paopec era o mais jovem do grupo, veio na frente, desaparendo na densa floresta, soltando guinchos e vários tipos de assobios, indicando o melhor caminho e alertando sobre qualquer perigo.



sexta-feira, 4 de outubro de 2013

TIAUACO - Capítulo I

Paopec correu disparado, o mato batendo em seu peito, raspando em galhos, adentrando a selva virgem dos Tapu Amaros. Correra a vida toda nestas matas e sabia exatamente pra onde estava indo, seus perseguidores não.

Os dois que saltaram da canoa estavam pintados inteiro de vermelho púrpura, o terceiro que ficou era mais velho, não menos perigoso.

Paopec correu como nunca, levando os algozes para uma armadilha mortal. Num certo momento Paopec lançou-se com um forte impulso na raiz duma árvore, agarrou já bem alto noutra e subiu igual todo indiozinho aprende cedo a fazer. Lá do alto Paopec começou a dar gritos com a mão em concha. Nesse momento os dois vermelhos já começaram a subir.

Não durou muito os parentes que estavam caçando com Paopec, surgiram de todos os lados, no sopé da árvore. Cada qual conduzia arco e flecha, tacape, e toda sorte de cortantes. Tinham curare, que Tashego trazia na cintura pra usar nas caças. E foi justamente ele que primeiro empunhou uma flecha, não sem antes molhar a ponta no veneno.

Só se ouvia o resfolegar dos dois que trepavam atrás de Paopec. Foram duas setas, atiradas quase simultâneas. A viagem da seta faz um som macio que a vítima só escuta quando já não dá tempo de escapar. Dois gritos contidos: " - Hu...", " - Hm...". E logo dois baques no chão. Um deles já caiu paralisado e só fazia babar uma gosma branca. O outro ainda conseguiu se levantar, mas levou uma pancada na cabeça, só uma, se foi.